Meningite: Diagnóstico, Tratamento e Prevenção

Por Natália Ferreira  04/11/21

A meningite é um processo inflamatório das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, conhecidas como meninges. Esta inflamação pode ser causada por diversos agentes infecciosos, como bactérias, vírus, fungos e parasitas. As meningites bacteriana e a viral são as de maior ocorrência do ponto de vista da saúde pública, sendo a bacteriana comum no inverno, e a viral comum no verão. Já a meningite fúngica é mais comum em pessoas com comprometimento do sistema imunológico e é contraída através da inalação de esporos de fungos existentes no ambiente. Nas meningites parasitárias, as pessoas são infectadas pela ingestão de produtos ou alimentos contaminados pelo parasita.

A transmissão das doenças bacteriana e viral comumente ocorre através do contato pessoa-pessoa, seja por gotículas de saliva, secreção nasal ou de garganta de pessoas contaminadas. Os principais sinais e sintomas são: cefaleia, estado febril, vômito, náuseas, sensibilidade à luz, rigidez da nuca e/ou manchas vermelhas na pele. Em crianças menores de 1 ano, os sintomas podem não ser tão evidentes. Por isso se deve ter atenção à presença de fontanela (moleira) tensa ou elevada, irritabilidade, inquietação com choro agudo e persistente, rigidez corporal e convulsões. 

O diagnóstico é feito através da punção lombar com a coleta do líquor (líquido translúcido presente na medula espinhal responsável por proteger as estruturas medulares e fornecer nutrientes). Com esse material biológico são realizadas análises macroscópicas, bioquímicas, citológicas, bacteriológicas, micológicas e de biologia molecular. 

Com o avanço da medicina diagnóstica, a biologia molecular tem se tornado muito importante para o diagnóstico de meningites. Em vista disso, o método de reação em cadeia de polimerase (PCR), que consiste na amplificação de cópias de uma região de DNA bacteriano ou viral, a fim de produzir material molecular suficiente para uma análise adequada, tornou-se o teste padrão-ouro para o diagnóstico, devido à sua rapidez, precisão e sensibilidade. 

O tratamento medicamentoso é realizado de acordo com a causa da meningite. Para meningites bacterianas, faz-se uso de antibioticoterapia em ambiente hospitalar; para meningites virais, na maioria dos casos, não se faz tratamento com medicamentos antivirais, as pessoas são internadas e monitoradas quanto a sinais de maior gravidade (casos mais graves podem necessitar de antivirais); meningites fúngicas possuem tratamento mais longo, com altas e prolongadas dosagens de medicação antifúngica; em meningites parasitárias são utilizados medicamentos contra a infecção e medicações para alívio dos sintomas. A precocidade do tratamento é importante para o prognóstico. Quanto antes receber o atendimento hospitalar, maiores as chances de uma boa recuperação. O tratamento rápido reduz o risco de óbito e sequelas como: paralisia dos membros, perda auditiva, perda da visão, entre outros. Portanto, o diagnóstico rápido é imprescindível para que o tratamento seja realizado o mais rápido possível.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estimam que ocorram no mundo, aproximadamente, 1,2 milhões de casos e 135 mil mortes por meningite a cada ano. No Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica, na qual novos casos são esperados ao longo de todo ano, com ocorrências de surtos e epidemias ocasionais. Por exemplo, no estado do Pará, entre os anos de 2010 a 2019, foram notificados 4.265 casos de meningite. E segundo estudo de Silva e colaboradores, feito com a análise dessas notificações, 45,7% dos casos foram de meningite bacteriana e 29,31% correspondentes à meningite viral. 

Uma das formas de prevenção às meningites é a vacinação. O calendário de vacinação da criança, fornecido pela rede pública (Programa Nacional de Imunização – PNI), disponibiliza vacinas que protegem contra meningites: pentavalente, pneumocócica 10 valente conjugada, meningocócica C conjugada, Meningocócica ACWY, BCG e tríplice viral. 

Referências:

Biblioteca Virtual em Saúde – Ministério da Saúde – Meningite – https://bvsms.saude.gov.br/meningite/

Centers for Disease Control and Prevention (CDC) – Meningitis –  https://www.cdc.gov/meningitis/index.html

Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) – Meningite: Entenda a doençahttp://www.iff.fiocruz.br/index.php/8-noticias/357-meningite

Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais – https://www.saude.mg.gov.br

SILVA; Adriana Conceição Borges da, RODRIGUES; Eluélly Lorrane da Conceição, TRINDADE; Eliane Leite da. Avaliação dos casos de meningite por definição do agente etiológico no estado do Pará entre os anos de 2010 a 2019. Brazilian Journal of Health Review 3 (4), 7729-7736,2020. 

TEIXEIRA; Andréa Bessa, CAVALCANTE; JCV, MORENO; IC, SOARES; IA, HOLANDA; FOA. Meningite bacteriana: uma atualização. RBAC 5 (4), 327-9, 2018.

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