O que todos devem saber sobre as hepatites?

Por Andressa Franca 26/05/2022

A hepatite é um termo genérico utilizado para designar um acometimento inflamatório do fígado, podendo apresentar diversas etiologias. A mais frequente é a hepatite viral, entretanto a doença também pode ser ocasionada pelo uso excessivo e indiscriminado de algumas substâncias tóxicas como bebidas alcoólicas (hepatite alcoólica), drogas e determinados medicamentos (hepatite medicamentosa) ou ter como causa algumas doenças autoimunes (hepatite autoimune).

As hepatites virais são provocadas por diferentes microrganismos que têm em comum o tropismo pelo tecido hepático, como, por exemplo, os vírus da hepatite e febre amarela. Recentemente, casos de hepatite aguda de origem não identificada em crianças vêm sendo reportados em vários países. As características clínicas, laboratoriais e epidemiológicas são demasiadamente específicas, variando entre países e ainda não foi possível definir a causa da doença. Entre as causas infecciosas em investigação, destacam-se o adenovírus humano (hAdV) e o coronavírus responsável pela Covid-19 (Sars CoV 2).

Entre 1999 e 2020, foram notificados 689.933 casos de hepatites virais no Brasil, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), sendo 24,4% referente aos casos de hepatite A, 36,9% referente aos de hepatite B, 38,1% referente aos de hepatite C e 0,6% aos de hepatite D.

Por apresentarem um alto índice de prevalência, incidência e mortalidade, as hepatites virais configuram um preocupante problema de saúde pública no Brasil.

A hepatite alcoólica (HA), que se dá em decorrência do uso excessivo e prolongado do álcool, possui taxa de prevalência e incidência de difícil determinação já que algumas pessoas podem apresentar quadro assintomático, levando muitas vezes a uma subnotificação.

Ainda há inflamação do fígado provocada por drogas, medicamentos, suplementos alimentares, fitoterápicos ou insumos vegetais (chá e ervas), conhecida por hepatite medicamentosa. Os antibióticos, principalmente os utilizados no tratamento da tuberculose, anticonvulsivantes e anti-inflamatórios são os principais fármacos causadores da inflamação hepática.

Já a hepatite autoimune (HAI) é caracterizada por inflamação crônica do fígado devido a alterações do sistema imunológico que passa a reconhecer as próprias células como corpo estranho e as ataca, levando a uma diminuição da função deste órgão. A HAI é uma doença rara e que afeta quatro vezes mais mulheres jovens do que homens.

Por apresentarem diferentes causas, para prevenir o contágio da doença, têm-se algumas medidas genéricas, tais como: evitar hábitos alcoólicos, condições de higiene e saneamento básico adequado, não ingerir produtos de origem duvidosa, vacinar-se contra a hepatite A e B, usar preservativo em relações sexuais, não partilhar agulhas/lâminas ou qualquer objeto que possa estar contaminado com sangue, além de evitar automedicação.

O diagnóstico da hepatite é feito pelo médico através da anamnese do paciente (história clínica, e hábitos), como exemplo: a ingestão de álcool, sinais e sintomas apresentados em associação a meios complementares de diagnóstico como a dosagem das transaminases hepáticas, avaliação da presença dos agentes infecciosos, ecografia abdominal, ressonância magnética e ainda, biópsia hepática.

O diagnóstico precoce e que consiga distinguir qual a causa da hepatite é de extrema importância na definição do tratamento a fim de preservar a saúde e a qualidade de vida do paciente, bem como minimizar o risco de evolução para quadros graves como cirrose hepática e câncer de fígado.

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