Covid longa: sintomas e impactos na sociedade

Por Silvia Pietra, 20/07/2022

As pesquisas científicas sobre a Covid-19 se concentram, especialmente, nos sintomas que afetam a respiração, uma vez que é um dos agentes responsáveis pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A doença levou milhares de pessoas à morte no mundo todo, desde o seu aparecimento em dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, na China. No entanto, hoje sabe-se que seus impactos podem ser muito mais sistêmicos e duradouros do que aqueles noticiados no início da pandemia.

Dor no peito, confusão mental, fadiga, queda de cabelo, lesões na pele, deficiência no crescimento de unhas, perda de audição, alterações menstruais, disfunção erétil, alucinações, ansiedade, perda de memória, insônia e efeitos semelhantes à demência são alguns dos sintomas relacionados à então chamada “Covid longa” ou “Covid de longo prazo”, que são casos de sintomas persistentes que podem durar semanas ou meses após uma infecção inicial. Pode acontecer, ainda, de a pessoa só ficar sabendo que teve Covid-19 após investigar a origem desses sintomas, já que existem casos assintomáticos do novo coronavírus.

Tais relatos de sintomatologias extrapulmonares precisarão de diferentes tipos de cuidados médicos e tratamentos especializados, muitas vezes necessitando de abordagem multidisciplinar e apoio psicológico para estes pacientes, que, na maioria, não se sentem mais aptos para suas atividades laborativas. Pesquisadores do Instituto René Rachou (Fiocruz- Minas) relataram que 50% dos pacientes que tiveram infecção pelo novo coronavírus sofreram sintomas pósinfecção (independentemente de sua gravidade), sendo que as faixas etárias mais afetadas foram adultos de 41 a 60 anos, seguidos daqueles com idades entre 20 e 40 anos. Em geral, as mulheres relataram mais problemas de saúde persistentes.

Além disso, algumas comorbidades mostraram favorecer a progressão da Covid longa, como hipertensão arterial crônica, diabetes, cardiopatias, câncer, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal crônica, tabagismo e alcoolismo.

A alta ocorrência da Covid longa demonstrada nesta pesquisa pode ajudar a dimensionar o grande impacto socioeconômico que este fenômeno pode causar na sociedade póspandemia
e a real necessidade de investimento em pesquisas que busquem maior entendimento de
suas causas e consequências, a fim de se buscar terapias mais efetivas e humanizadas.

O assunto é de tamanha relevância e tem trazido discussões para dentro do governo federal. O Conselho Nacional de Segurança (CNS) encaminhou para o Congresso Nacional uma recomendação para a construção conjunta de uma Rede de Cuidados às Vítimas da Covid-19 e seus familiares. O documento foi aprovado em maio durante umas das reuniões ordinárias do órgão, que debateu a importância do fortalecimento da atenção primária em saúde para atuar diretamente nas sequelas da Covid-19. Mas ainda faltam ações efetivas para tratar esses sintomas, e recomenda-se que, quem puder, pessoas procurem o serviço de saúde o quanto antes para tratamentos adequados.

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